Já não é de hoje que o YouTube tem a mania de criar modificações que literalmente ninguém pediu ou precisa. Depois de controle e até mesmo acusações de censura de conteúdo, parece que a gigante dos vídeos está disposta a mexer, mais uma vez, com o rendimento de criadores de conteúdo, dessa vez com as miniaturas dos vídeos publicados.

Usualmente apontados em artigos sobre clickbait, a arte de chamar a atenção com imagens fortes que capturam a atenção do telespectador mesmo que tenham pouca e/ou nenhuma relação com o conteúdo, as miniaturas tem grande peso na hora da escolha do vídeo. Quanto mais profissional e chamativa, mais visualizações.

Exatamente por isso um anúncio feito pelo YouTube no Twitter criou um verdadeiro pesadelo para os criadores de conteúdo da plataforma. Segundo eles, um experimento estaria acontecendo com um grupo pequeno e seleto de canais para testar a criação automatizada de miniaturas.

“Estamos realizando uma pequena experiência em que 0,3% dos espectadores verão uma miniatura gerada automaticamente, em vez de sua miniatura personalizada”, diz o tweet. “Não estamos removendo a capacidade de criar sua miniatura personalizada, mas esperamos ter insights sobre miniaturas geradas automaticamente para o futuro”.

Apesar de ter sido vendido apenas como um teste, os criadores já começaram a se preocupar, afinal a plataforma tem o estranho hábito de não voltar atrás em suas decisões e tão pouco pedir a opinião de quem movimenta parte dos seus milhões de usuários.

Caso seja adotado para todos os canais, este recurso terminaria retirando dos criadores uma ferramenta muito conhecida no mercado, a do Marketing. Sem a oportunidade de anunciar devidamente o conteúdo criado, estes vídeos estariam a mercê do YouTube e sua ferramenta automática.

A mudança também vai contra as pesquisas mais recentes, que apontaram que o uso do rosto de YouTubers em miniaturas de vídeos, com expressões exageradas, era um grande chamativo – e praticamente a regra de 9 entre cada 10 canais existentes hoje em dia.

Segundo o colunista de cultura pop Joe Veix, para a SOMA:

“Em algum momento, um usuário descobriu que uma imagem de visualização atrativa costumava acionar a curiosidade de possíveis espectadores o suficiente para que clicassem com mais frequência. O mais provável é que essa noção tenha sido inspirada por outras formas de clickbait (em grande estilo, parece ser uma mistura de ~ 2012 lixo viral de newsfeed do Facebook com estética chumbox genérica). Então outro usuário descobriu que incluir uma reação facial tendia a aumentar ainda mais a visão (talvez manipulando algum tipo de sentimento primitivo de empatia ou curiosidade mórbida na dor dos outros?). Com o tempo, as métricas de contagem de visualizações gradualmente levaram essas reações faciais a expressões mais exageradas.”

Caso vá em frente em sua decisão, a empresa poderá prejudicar vários usuários que almejam criar uma grande base de fãs, iniciada pelo atrativo visual da miniatura criada pelo criador e não pela plataforma que hospeda a criatura.

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