As coisas não andam muito boas para Mark Zuckerberg e seus acionistas estão tentando o demitir como presidente do Facebook, tudo por causa do “mau uso”, dos recentes escândalos da gigante rede social, incluindo a saga de dados da Cambridge Analytica, a intromissão russa nas eleições dos EUA e notícias falsas.

A empresa de investimentos Trillium Asset Management, que tem cerca de US$ 11 milhões em ações do Facebook, apresentou uma proposta na quarta-feira para acabar com o papel de Zuckerberg como principal representante do conselho e CEO, de acordo com a Business Insider. A proposta argumenta que os acionistas não podem rivalizar com o poder e controle de Zuckerberg já que ele detém aproximadamente 60% das ações com direito a voto dentro do Facebook, enquanto empresa, como presidente e CEO.

“Um CEO que também atua como presidente pode exercer influência excessiva no conselho e em sua agenda, enfraquecendo a supervisão da administração pelo conselho”, afirma a proposta.

“Separar os cargos de presidente e CEO reduz esse conflito, e um presidente independente fornece a mais clara separação de poder entre o CEO e o restante do conselho.”

Segundo a empresa de investimentos, essa supervisão concluiu que existiram aberturas para que o Facebook “falhe ou manuseie incorretamente” e tenha participado de várias “controvérsias severas” nos últimos anos, o que, segundo eles, aumenta a exposição ao risco e os custos para os acionistas. Os exemplos específicos usados ​​pelos acionistas incluem: interferência russa nas eleições dos EUA, o compartilhamento de 87 milhões de dados pessoais de usuários com a Cambridge Analytica, proliferação de notícias falsas e agitação social em Mianmar e Sri Lanka.

Só que o atual presidente e CEO do Facebook não deve estar muito preocupado com as ameças já que as chances dos papéis de Mark Zuckerberg serem divididos continuam escassas, uma vez que o Facebook rejeitou pedidos similares de acionistas antes. Uma proposta no ano passado para derrubar Zuckerberg como presidente recebeu 51% dos votos.

Toda a preocupação ao redor do papel de Mark Zuckerberg e a tentativa de separá-lo do desempenho de duas funções com tanto poder é devido a:

  • Queda de 21% das ações, eliminando cerca de US $ 150 bilhões em valor de mercado
  • As regras europeias de privacidade entraram em vigor em maio, o que em parte resultou na queda dos usuários europeus de 377 milhões para 376 milhões
  • Escândalo Cambridge Analytica, no qual dados pessoais de 87 milhões de usuários do Facebook foram divulgados sem autorização
  • O novo recurso de vídeo do Facebook permite as chamadas guerras de informações dentro de sua plataforma, contribuindo para notícias falsas e teorias da conspiração
  • Zuckerberg também foi chamado para remover comentários de assédio dos teóricos da conspiração de Sandy Hook dirigidos aos pais das vítimas.
  • A notícia da proposta veio apenas algumas horas depois que as ações do Facebook entraram em queda livre na quarta-feira

As ações do Facebook despencaram cerca de 21%, eliminando cerca de US $ 150 bilhões em valor de mercado. Se a queda de ações se mantiver, este seria o maior declínio de um dia no Facebook, chegando a uma queda de 12% em julho de 2012.

Esta dor não foi sentida apenas no bolso dos acionistas. A fortuna pessoal de Mark Zuckerberg também foi atingida, perdendo quase US$ 20 bilhões em apenas duas horas. Seu patrimônio líquido caiu US$ 18,8 bilhões, o derrubando quatro posições na lista de bilionários da Forbes. Seria como acordar como a pessoa mais rica do mundo e chegar ao oitavo lugar no final do dia.

Enquanto os analistas previam um montante de 2,25 bilhões de usuários ativos no Facebook, o número fechou “um pouco” abaixo, com 2,23 bilhões. Apenas na Europa a quantidade foi de 377 milhões para 376 milhões, em parte devido as novas regras do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR). Os resultados do segundo trimestre foram o primeiro sinal de que as novas leis de privacidade na Europa e uma sucessão de escândalos de privacidade envolvendo o Cambridge Analytica e outros desenvolvedores de aplicativos afetaram os negócios do Facebook.

O CFO David Wehner disse que o Facebook espera ver quedas de apenas um dígito no crescimento da receita ano a ano durante os próximos trimestres, citando as novas regras GDPR, controles de privacidade do usuário e obstáculos cambiais como fatores que contribuem para a desaceleração.

Segundo Wehner, o GDPR não teve um impacto significativo sobre as receitas porque foi implementado em direção ao final do trimestre, mas ele disse que isso poderia mudar no futuro.

“Acreditamos que haverá um impacto modesto e não quero exagerar nesses fatores”

‘… Continuamos focando nosso modelo de privacidade em torno de colocar a privacidade em primeiro lugar. Acreditamos que isso terá algum impacto no crescimento da receita. É realmente uma combinação de como estamos nos aproximando de privacidade e GDPR e afins. Todos esses fatores juntos são … (coisas) que estamos considerando.

Muito dos problemas do Facebook começaram após o vazamento de informações privadas de seus usuários, conhecido como o escândalo de Cambridge Analytica, gerando extensos pedidos de desculpas por parte de Zuckerberg. O que este caso também gerou foram muitos pedidos para que os usuários abandonassem o Facebook.

Valem mencionar que também existem boas notícias para a gigante. Suas vendas de anúncios no segundo trimestre aumentaram 42%, mas os custos, impulsionados por melhorias no conteúdo e segurança após o escândalo de dados, aumentaram 50% em relação ao ano anterior, para US$ 7,37 bilhões. A receita total subiu 41,9%, para US$ 13,23 bilhões, enquanto Wall Street buscava uma receita de US $ 13,36 bilhões.

Antes do anúncio, especialistas do setor previram que o número de usuários ativos que visitam a rede social cairia ou seria uma linha fixa.

Por enquanto a situação de Mark Zuckerberg deve continuar estável e poucos acreditam que ele realmente deixará a posição de chefe de conselho e CEO. Contudo, mais um pedido deverá abalar um pouco a estrutura e linha de mercado da empresa, que atualmente está combatendo o surto de notícias falsas com banimentos em massa, atingindo inclusive páginas brasileiras.