Você é do tipo que gosta de fazer testes de personalidade na Internet? Não vê a hora de descobrir como o seu gosto em queijos determina sua vida passada? É, talvez esta notícia não seja tão reveladora para o segundo grupo, mas o primeiro já pode começar a se preparar para uma inteligência artificial capaz de ler sua linguagem corporal e determinar o seu tipo de personalidade, tudo baseado em como seus olhos se movimentam.

Este foi o trabalho publicado por uma equipe de cientistas na Frontiers In Human Neuroscience, revelando que quatro dos chamados cinco grandes traços de personalidade – neuroticismo, extroversão, afabilidade e conscienciosidade – bem como “curiosidade perceptiva” (nome dado a atenção a estímulos novos e interessantes) poderiam ser determinados apenas a partir de um conjunto de dados limitados. Sendo que apenas o último dos Grande Cinco não conseguiria ser adequadamente determinado.

“Além de nos permitir perceber o que nos rodeia, os movimentos dos olhos também são uma janela para nossa mente e uma rica fonte de informações sobre quem somos, como nos sentimos e o que fazemos”, explica a equipe da Universidade de Stuttgart.

A nova pesquisa não apenas apoia essa afirmação, mas destaca movimentos oculares sutis e anteriormente negligenciados capazes de revelar aspectos da personalidade de alguém.

O estudo cientifico reuniu dados a partir de 50 alunos e funcionários da Universidade de Flinders, a maioria do sexo feminino, revelando que apesar de reveladores, os dados ainda não podem ser considerados para afirmar as habilidades preditivas da inteligência artificial – devido ao escopo que precisa englobar dados amplos para atestar veracidade, como por exemplo, testes com homens e mulheres de idades diferentes.

No estudo os participantes precisaram usar um rastreador de olhos baseado em imagem de vídeo de ponta, montado na cabeça e que registrou o movimento dos olhos dos objetos de estudo. Tudo ocorreu enquanto estes cumpriam uma rotina de 10 minutos comprando um item de sua escolha em uma loja do campus.

Em seguida os sujeitos foram questionados sobre seus traços de personalidade usando questionários psicológicos padrão. Estes seriam usados ​​mais tarde para ver quão bem a IA realizou sua tarefa.

A IA, desenvolvida pela equipe com base em dados pré-existentes, levou em consideração muitas teorias sobre o comportamento dos olhos durante a leitura de personalidade, algo bem comum no acompanhamento de investigações policiais em interrogatórios, por exemplo.

As ações observadas foram – movimentos rápidos dos olhos projetados para construir uma imagem integrada do nosso entorno, o ângulo de alguém que fixa o olhar em um objeto, ou o quão variável é o diâmetro da pupila durante essas fixações, também foram levados em consideração.

A equipe chegou a conclusão de que a inteligência artificial conseguiu obter um amplo entendimento da pessoa por trás do vídeo. Contudo também foi concluído que esta IA ainda não está pronta para testes mais abrangentes.

Além de interrogatórios a análise de movimentos oculares para determinar traços da personalidade poderia ser utilizado por robôs para captar sinais emocionais sutis e contribuir para uma interação mais natural. No ramo médico este poderia ser absorvido na compreensão de pessoas em situação de paralisia, criando um elo de comunicação não verbal dada a limitação de movimentos.

Estamos cada vez mais próximos de uma inteligência artificial com compreensão da complexidade humana, o que pode ser muito bom ou bem perigoso, caso você acompanhe filmes de apocalipse tecnológico com dominação das máquinas – que não faltam no mercado.

E aí, ficou com medo ou ansioso pelo avanço? Nós aqui ainda estamos ponderando, com os olhos semicerrados, só por precaução.